
Como tornar a dor tangível? Apesar de estar inequivocamente vinculada ao corpo, a experiência da dor contém algo sigiloso, tanto no sentido da sua exteriorização, quanto da sua vivência solitária. As imagens expostas desvelam uma tentativa ensaística corporal de expressão desta ‘zona dolorosa’ revelada não só a partir da experiência íntima da investigadora, mas também da recolha das vozes de outros docentes universitários que vivenciam estas ‘zonas’. Ou seja, partindo do particular, encontram-se teias conectoras de outras experiências que, mesmo sendo pessoais, tornaram-se coletivas e partilhadas, desencadeando possibilidades poéticas. Coloca-se em diálogo o visível com o invisível. As indagações tecidas por Merleau-Ponty (1964) acerca desta relação circular entre o que é visto e quem vê acompanham este encontro de dois mundos contíguos. Talvez necessitemos de reaprender a ver ambos através de experiências cinestésicas. A exposição foi concebida a partir do corpo, sublinhando a sua relevância para este debate ao concentrar-se em imagens evocativas de movimento, de incerteza e de uma sensibilidade empática. A instalação da obra foi realizada com a consciência de que, tal como Heidegger (1935) adverte, esse gesto faz emergir uma linguagem e de que a própria obra cria um mundo. Olhares capturados, saltos suspensos e sombras libertadoras são algumas das imagens que, mesmo estáticas, transmitem o movimento que surgiu desta investigação, gerando este mundo particular e de todos nós, seres sencientes.
Inês Zinho Pinheiro
Curadora
Referências
Merleau-Ponty, M. (1964). Le visible et l’invisible. Éditions Gallimard.
Heidegger, M. (1935). De l’origine de l’œuvre d’art. Édition Bilingue Numérique.
Exposição fotográfica associada a pesquisa de pós-doutorado: “Visualidades da Dor: Um Ensaio sobre Condições de Trabalho e Mal-estar Docente no Ensino Superior” (Meireles, 2025), financiada pelo Conselho Nacional de Desen- volvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e supervisionada pelos professores Dr. Elizeu Clementino de Souza (UNEB/Brasil) e Jorge Ramos do Ó (ULISBOA/Portugal).
A exposição parte de uma constatação simples: a dor é uma experiência autobiográfica portadora de uma neuro-assinatura congênita. Exprime-se entre o limiar da palavra, a (i)mobilização do corpo e as formas silentes de se manifestar. A série de imagens, cujo o trabalho poético resulta de ensaios performáticos e analíticos advindos de uma pesquisa de pós-doutorado, confronta-se com a (pre)suposta (in)visibilidade da dor e suas formas substantivas de existir, originando-se da experimentação de narrativas e da proposição da imagem para além da apreensão visual. Gesto que inicia com a escuta, desdobrando-se nas fendas simbólicas de olhar, perceber e projetar o corpo que sofre. Ao seu modo, o acervo imagético tensiona a captura da vida pelo trabalho, indaga a ideia de automatização e padecimento, redimensionando o lugar do corpo e suas vicissitudes no estudo da profissão docente. Em “Zona Dolorosa”, a dor é projetada esteticamente enquanto fenômeno encarnado, despontando-se como possibilidade imaginativa de ver e de ser vista. Nesse sentido, o ato de ver confunde-se com o ato de pensar. Este processo torna-se significativo, a partir do momento em que, laboriosamente, a dor recusa sua condição privada e incomunicável e, passa existir, subjetivamente, como matéria palpável nas imagens.
Mariana Meireles
Artista e Investigadora
Ficha Técnica
Mariana Martins de Meireles é professora adjunta na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia/Brasil. Pós-Doutora pelo Instituto de Educação da Universidade de Lisboa (IE/ULisboa). Atualmente desenvolve Estágio Pós-Doutoral no Programa de Pós-graduação em Educação e Contemporaneidade (UNEB). Doutora e Mestre em Educação e Contemporaneidade (PPGEduC/UNEB). Licenciada em Geografia (UNEB).
Inês Zinho Pinheiro é doutoranda no programa Artes Performativas e Imagem em Movimento (Faculdade de Belas-Artes, Universidade de Lisboa). Mestre em Filosofia e História da Dança pela Roehampton University, Londres. Licenciou-se na Rambert School of Ballet and Contemporary Dance, University of Kent, Londres.
Itarcio Araújo Lima é fotógrafo e designer (Unijorge/Brasil). Artista de palavras e imagens, contrastes e composições, de silencio e barulho. Em períodos de dispersão e melancolia, a fotografia o faz se sentir real, conectando-o ao presente.
O Espetáculo Okán-Iná do Coro Oyá Igbalé do DEDC-1 da UNEB tem com repertório dedicado às cantigas de Xangô, Iansã e Exú. A apresentação celebra os onze anos de fundação do Projeto Coro Oyá Igbalé e a importância dos valores humaniísticos como a Justiça, Equidade e Liberdade para preservação do patrimônio cultural afrobrasileiro.
O Espetáculo Okán-Iná (Coração de luz) propõe como objetivo principal a divulgação cultural do acervo de música sagrada afrobrasileira do Coro Oyá Igbalé. Dentre as metas, destacam-se: o combate ao racismo cultural e a intolerância, a valorização da memória musical do sagrado afrobrasileiro compreendida como expressão da arte e a defesa de ações afirmativas e de inclusão.
O projeto Coro Oyá Igbalé é vinculado a UNEB, ao Departamento de Educação do Campus I da UNEB, ao Grupo de Estudos em Estética e Contracultura (GEEC) do Colegiado de Filosofia, ao Grupo de Pesquisa em Filosofia, Ética, Educação e Psicologia Analítica (UNEB e CNPq), ao Centro de Turismo de Base Comunitária e Economia Solidária do Cabula (DCH/UNEB) e ao Programa Circula UNEB.
O repertório está dividido originalmente em cinco partes, a saber: Abertura, Cantigas do Fogo Rubro, Cantigas dos Raios de Ouro, Cantigas do Trovão de Prata e Encerramento. A apresentação contempla apenas um trecho do espetáculo original (que tem duração de 1h30min).
Mais informações sobre o Coro Oyá Igbalé estão disponíveis no Instagram: @corooyauneb, ou podem ser solicitadas por e-mail: coro.oya.uneb@gmail.com
O projeto de extensão UNEBJAM é dirigido pela Prof.a Dra. Cláudia Sisan e vinculado ao Departamento de Educação (DEDCI) da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). A iniciativa transforma a música em um potente instrumento de diálogo, formação e inclusão, integrando arte e educação em práticas abertas à comunidade.
Com sessões abertas de improvisação musical em formato de aula-show, o projeto articula a linguagem artística à curricula- rização da extensão, promovendo o encontro entre saberes acadêmicos e populares.
Com foco em repertórios e práticas decoloniais, o UNEBJAM valoriza expressões sonoras afro-indígenas, periféricas e populares, desafiando as lógicas eurocentradas do ensino musical. As ações do projeto propõem vivências em que estudantes, professores, técnicos e membros da comunidade externa se encontram para criar, escutar e compartilhar experiências musicais que educam e sensibilizam.
Banda Tambores do Marighella nasceu da oficina de percussão do Colégio Estadual Carlos Marighella, sob a orientação dos professores André Morcego (música) e depois de alguns anos de trabalho, ganhou mais força com a parceria de Jiauncy Oju Bara (canto). A iniciativa faz parte do programa Educa Mais Bahia, do Governo do Estado, que incentiva a arte e a cultura nas escolas públicas.
Mais do que um grupo musical, os Tambores do Marighella representam um espaço de integração entre os estudantes, a escola e a comunidade. Por meio dos ritmos, das vozes e da força da cultura africano-brasileira, a banda estimula o sentimento de pertencimento, valo- riza a identidade local e fortalece a expressão artística como forma de educação e transformação social.
Os sons que ecoam dos tambores carregam histórias, memórias e afetos — celebrando a potência das juventudes e o poder da música como caminho para o aprendizado, o respeito e a valorização das nossas raízes.
Documentário realizado pela Rede Anísio Teixeira- IAT/SEC que aborda a relação histórica e social da escola com o local onde está inserida, seja um bairro ou mesmo uma cidade. O projeto promove a valorização da escola como um espaço onde os alunos podem se desenvolver, expressar paixões e construir sonhos. Objetiva ressaltar a escola como um espaço de pertencimento, identidade e interação social, indo além do aprendizado formal.
Na perspectiva da interação e sociabiidade, o Projeto incentiva o convívio com a comunidade, mostrando que a escola é uma extensão do bairro e que a participação dos pais e responsáveis é fundamental.
Link: http://pat.educacao.ba.gov.br/tv-anisio-teixeira/ listar?canal=1&categoria=17